Modorrência Momesca

Vem chegando o carnaval. E ao contrário do que muitos acreditam, esta sim é a verdadeira época do ano em que reina o espirito da solidariedade. Todos só pensam em dar e receber. Mas, para minha tristeza, não bastassem todas as outras inadequações sociais que possuo, também nunca fui lá muito carnavalesco.

O carnaval, assim como inúmeras outras festas populares, baseia-se na premissa amplamente aceita, embora jamais demonstrada cientificamente, de que a alegria e a diversão são diretamente proporcionais ao numero de pessoas reunidas, divido pela área por elas ocupada. Ou seja, quanto mais gente em menos espaço, melhor. A atração do ser humano pelas aglomerações acéfalas sempre há de intrigar-me.

Mas, apesar dos pesarem, em certos momentos da minha vida intelectual e acadêmica, senti que o carnaval era também uma obrigação. Uma lacuna em minha sólida formação de sociólogo e antropólogo empirista, adquirida com suor e muitos selos postais no saudoso Instituto Universal Brasileiro. Além de ser uma boa oportunidade pra pegar umas mulherzinhas, é claro. Enfim, confesso: Também eu, um dia, rendi-me aos encantos do ziriguidum.

Bem, não foram exatamente encantos, mas eu até que tentei.

Engalfinhei-me na multidão. Peguei ônibus e vans lotadas. Percorri inimagináveis distâncias à procura do bloco perdido. Levei pisadas no joanete, banhos de cerveja quente e quase até fui preso, vejam só, ao praticar o tradicional e masculiníssimo esporte do “xixi no poste”. Porém, ao final de tantas desventuras, foi preciso encarar a triste realidade: Não comi ninguém.

A vida não presenteou-me com os talentos e habilidades retóricas necessárias para fazer bonito em tais eventos sócio-bacanais. Agora, mais do que nunca, tenho a certeza de que o carnaval não foi feito para mim. No, no, no. Wrong, wrong, wrong.

Por isso, este ano, já estou resignado. Retornarei aos velhos hábitos e passarei meus dias de momo em monástica e monolítica modorrência doméstica. Sempre acompanhado, é claro, de meus fiéis escudeiros, o guaraná Toby e o salgadinho Fofura. Já que o zero a zero é inevitável, o melhor que se pode fazer é assisti-lo de camarote. Pelo menos em casa eu tenho a certeza de fazer meu xixi em segurança.

Anúncios

4 Comentários

Arquivado em Artes (ou não), Textos

4 Respostas para “Modorrência Momesca

  1. Aline Bonifácio

    Ai, Álvaro, só vc mesmo!!! Mas devo confessar que o Carnaval não tem mais a mesma graça para mim. Não a graça que eu via anos atrás. Isso deve ter um nome: amadurecimento.

  2. Tarsila

    Ah, mas não deixe de admirar o carnaval… que tal a Sapucaí? Lá tem banheiro para fazer xixi, ao menos.

  3. Ah, que triste isso! Mas você ainda é jovem, pode tentar a folia uma vez ou outra a mais. Ou pelo menos chame os amigos e promova sua própria festa em casa, com banheiro e bebida gelada. Fica a dica u.u

  4. Sinto que alguém quer beber de graça na minha casa… ¬¬

    Ah! Mas pelo menos já consegui companhia pra ir no bRoco dos Beatles. rsrsrsr

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s