Requentar é Viver

Inaugurando esta noite mais uma sessão do blog:

Requentar é Viver

Para quem não acompanhou a primeira encarnação do PseudoArte, esta sessão vai trazer até você os melhores momentos de nossa fase áurea.

Para começar trazemos o longa-metragem que deu orígem à série, ou melhor, o conto onde estreou o nosso amado mascote: Oliver! Leiam aí.

Com o rei da cocada preta na barriga

Oliver era o rei do universo. E sabia disso!

Não teve, de imediato, tal consciência. Esta surgiu-lhe aos poucos. De fato, suas origens eram bastante obscuras. Faltava-lhe a clara noção de sua própria trajetória. Lembrava-se vagamente de seu nascimento, em meio a muito calor e ruídos estranhos. Depois, viveu longo período na mais completa escuridão. Não saberia dizer quanto. Era muito jovem ainda, e não possuía, àquela altura, a sutileza espiritual necessária para compreender e dar conta das realidades complexas que o cercavam. Mas após este período de trevas e vazio, ao qual Oliver atribui a função de tê-lo preparado para o importante papel que viria a desempenhar,ele finalmente pôde ver a luz.

A princípio, não conseguira distinguir o que se passava. Lentamente, foi tomando ciência daquele mundo de sons, cores e brilhos. Oliver percebeu que fora alçado ao ponto mais alto do universo. De seu mirante frio e marfim, divisava até os confins mais distantes. Percebeu também que havia súditos. Estes estavam sempre por perto, eram muito atarefados. Constantemente rendiam-lhe homenagens ao pé do enorme monolito que lhe servia de altar e morada. Nestes momentos de reverência, fortes luzes eram emitidas, banhando as faces daqueles que humildemente o adoravam. Oliver compreendia que tratava-se da manifestação sensível de seu poder, e sabia do sincero amor e devoção que lhe prestava seu povo. Por isso, retribuía-lhes com as bênçãos de sua infinita e eterna glória. Não tinha certeza se aqueles seres eram capazes de ouvir ou mesmo compreender suas mensagens de sabedoria e paz. Talvez não dispusessem ainda do intelecto ou percepção necessária para alcançar sua elevada linguagem. Mas Oliver fazia a sua parte. Tinha plena consciência de seu poder e das responsabilidades que seu posto lhe impunham e cuidava de tudo com satisfação pois realmente amava seus humildes servos. Decididamente, Oliver era um bom rei.

Eventualmente, os súditos pareciam sumir por longos períodos. A escuridão tomava conta e tudo era silêncio. Nas primeiras vezes, Oliver sentiu medo. Teriam todos o abandonado? Sucumbido a algum mal invisível? Não sabia. Apesar de todo o seu poder, Oliver não foi capaz de compreender imediatamente este fenômeno. Mas com o passar do tempo, foi percebendo o caráter cíclico de tais eventos, e deduziu tratarem-se de momentos de purgação espiritual de seus adoradores. Sim, certamente era isto. Talvez tomados por alguma culpa infantil, decidiam afastar-se voluntariamente da presença de seu governante, para mitigarem suas faltas. Pobres. Não sabiam que poderiam sempre contar com a compaixão de Oliver? Não seriam pequenos deslizes que afastariam o todo-poderoso de seu povo eleito. E assim, transcorreram-se anos e anos, talvez séculos e séculos. E Oliver, O Bom, governou com justiça e sabedoria, mantendo a paz e conduzindo seu povo para a glória e a felicidade.

Pelo menos até o dia em que a faxineira decidiu dar uma boa e caprichada lavada na cozinha. Uma pitada de mau jeito e ouviu-se, por toda a casa, o barulho da pancada e dos cacos. A patroa até que pensou em aplicar-lhe uma bela bronca, mas relevou. Afinal, Mariazinha sempre fora uma excelente doméstica, e um pinguim de geladeira não era lá um item dos mais importantes…

Moral da História? Nem sempre a imagem que fazemos de nós mesmos corresponde àquela compartilhada pelo restante da humanidade. Isso dá o que pensar, não?

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1 comentário

Arquivado em Outras Bagaças, Requentar é Viver, Textos

Uma resposta para “Requentar é Viver

  1. Vanessa M.

    Adorei reler! rs
    Eu lembro desse episódio!!!

    bjs

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